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CRUZ DA TERRA SANTA, A CRUZ DA PAZ.


Muito se tem escrito ultimamente sobre o conflito na Terra Santa no Oriente Médio e, especialmente, na Faixa de Gaza.

Não se trata aqui de tomar posição de um ou de outro lado.

Até porque todas as vezes que se toma posição e se buscam argumentos para justificá-la, provoca-se, na seqüência, a reação contrária.

Então, novos argumentos para se contraporem aos primeiros, surgem. E, não raro, com a mesma veemência dos primeiros que os contestam.

É um círculo vicioso.

Réplicas, tréplicas e novas respostas à velhas indagações. De repente, um outro tipo de guerra - a das palavras e dos conceitos - acaba se irrompendo. E, como aprendemos com o decorrer da vida, há palavras que ferem mais que um punhal ou uma bala.

Enganam-se, pois, aqueles que através de arrozoados aparentemente bem formulados tentam convencer que um dos lados da Terra Santa possui a verdade absoluta, a razão por inteiro, a exclusividade da justiça.

Não quero, pois, neste artigo que você me dá o prazer de ler até aqui, cair na tentação de ser mais um a considerar que possui aquela varinha mágica que, ao tocar os litigantes, vá fazer com que eles se aquietem e cessem as hostilidades.
Infelizmente, ao contrário das histórias de fadas e de príncipes que contamos para nossas crianças, na disputa que se trava entre Israel e seus vizinhos árabes, isto não é possível hoje em dia.

Porém, por natureza, não sou cético. Pelo contrário.

Quero, portanto, falar de Esperança. (E de um pequeno milagre que ocorreu na Faixa de Gaza).

Porque, no fundo, a Esperança é o único sentimento que dá sentido às nossas existências.

A Esperança é, de uma certa maneira, até mais importante e fundamental do que o amor.

Porque o que é o amor, se não esta sensação única de que quando nos embalamos por este sentimento, nos impregnamos de amor, experimentamos a exata noção de que nos encontramos felizes hoje e vamos ser felizes também amanhã?

Ora, esta emoção, esta expectativa, este esperar por um dia melhor após o outro ou de que "amanhã serei tão completo e realizado quanto sou hoje", nada é mais do que... Esperança.
Esperança no seu sentido mais amplo, no seu sentido mais profundo.

• Voltando a terra santa e a Gaza

Como Católico Apostólico Romano, além de ter Esperança na paz, encontro-me numa posição de poder falar além ou acima dos argumentos supostamente lógicos ou históricos que um ou outro lado do conflito costuma invocar para defender sua tese.

Não sendo judeu ou mulçumano, uma vez que a discórdia basicamente encontra-se neste campo, quero falar de uma ponta de Esperança renovada que me tocou o coração ao ver e rever as cenas de violência e destruição que a discórdia naquele pedaço do mundo trouxe recentemente às nossas salas de estar, via satélite, pela televisão diretamente desde a terra santa.

Quantas vezes interrompi meu jantar com a família para acompanhar os acontecimentos. E, sinceramente, perder o apetite, pois você não consegue se regozijar, se afastar à mesa quando é lembrado que irmãos estão se destruindo de uma maneira que a comunicação moderna nos faz viver e sentir tão de perto.

• Um pequeno milagre da Terra Santa

Então, numa destas noites, aconteceu.

Olhos fixos na tela, de repente, ela surgiu.

Num dos muitos terrenos arrasados pelo impacto de uma bomba, de um artefato de impacto, consegui identificar algo brilhar.

Algo especial, familiar. Resplandecente.

Não, não vou cometer o engano de dizer se este trecho geográfico estava do lado de cá ou do lado de lá. Porque pouco importa. Vidas humanas existem nos dois lados da terra santa e elas são igualmente valiosas.

O que me chamou a atenção foi reconhecer em meio aos destroços, aquele feixe de luz, aquele brilho singular. Um objeto pequeno, que cabe na palma de uma pequena mão, até mesmo na mãozinha de uma criança.

À sua volta, o horror da guerra.

Mas ele estava lá, incólume, sobrevivente, como a dizer: nem tudo está arruinado, nem tudo se pode destruir.

Há elementos, peças que devem ser preservadas sob qualquer condição.
Este objeto era... uma singela cruz. Igualzinha a que tenho em casa e a que trago no peito, em todos os momentos..

Era uma cruz linda, inigualável, única: a CRUZA DA TERRA SANTA.

Com gotas da água do Rio Jordão, onde Jesus Cristo foi batizado e um pouquinho da terra de Belém, a cidade em que ele viveu. Enfim, muito mais do que uma preciosidade material.

Uma verdadeira Jóia religiosa.

Na verdade um símbolo, uma senha para o entendimento.

Ao lado dos escombros, ela havia resistido, intacta. Coberta de pó e, talvez, apartada daquele que a portava no momento do impacto.

Porém, ela era reconhecível, identificável em meio às pedras, blocos disformes de cimento, tábuas tombadas, ferros retorcidos.

Uma jóia religiosa.

Ali... no chão, quase despercebida. A não ser para os olhos que crêem na possibilidade da sublimação dos conflitos, da confraternização.

Se ela, aquela pequena e aparentemente frágil peça se salvou, por que não salvarmos a todos?

A jóia religiosa resplandecente, sobrevivente, me enterneceu.

O paraíso que se procura e que todas as religiões prometem, afinal, não tem fronteiras, nem limites demarcados. Todos podem possuir o seu espaço sagrado.

Ela era a prova.

Ela estava lá. Incólume.

Era uma cruz dando uma mensagem: Devemos ter Esperança. É possível encontrarmos a Paz! Sim, basta que continuemos tentando que nós a encontraremos.

Era, enfim, uma Cruz da Esperança.

Era a CRUZ DA TERRA SANTA, A CRUZ DA PAZ .


Fonte:
Edgard Soares



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